De algum lugar do passado,
Vem um grito de agonia e dor;
Um lamento de desespero e raiva,
Uma promessa de vingança.
A próxima esquina pode revelar sua face,
Ou não.
Passos ecoam no silencio da noite...
Seus olhos nada refletem...
Por um momento, ao ouvir o grito do passado,
Ele olha à volta, esperando encontrar seu algoz.
Mas ainda não foi desta vez.
Por mais que queira terminar esta batalha
De uma vez por todas,
As trevas teimam em querer brincar com sua mente.
Sua mente... uma profusão de lembranças vibram em seu cérebro,
Mas estão todas embaralhadas,
Talvez nem mesmo ele consiga ordená-las.
Passos voltam a ecoar no oprimente-aconchegante silencio da noite.
Lentamente, sua consciência retorna ao presente;
Ele olha ao redor, para descobrir que não mais esta
Nas ruas.
Aquilo foi mais um devaneio,
Mais uma brincadeira de seus fantasmas com sua mente.
Ele está olhando para uma face distorcida,
Uma face que o fita com olhos atentos.
A boca, nada mais do que um simples traço distorcido...
As palavras deixam de fazer sentido,
Os sons parecem vir de outra época.
Ele fecha os olhos,
Na esperança de um dia poder esquecer.
Ele fecha os olhos, procurando o silencio da noite
E o encontra... mas o que é aquilo que está lá?
Será que... o vulto... os olhos... o sorriso de escárnio...
Como lhe dizer: "Estou chegando..."
Ele abre a boca para, em um grito, expressar toda a dor e sofrimento,
Mas nenhum som sai...
Está se aproximando... nas sombras...
Olhos... dentes à mostra num esgar de um sorriso mortal...
Mais um passo...
Ele recua... às suas costas, sente uma respiração pesada,
Um hálito quente e pesado...
Não há como olhar para trás... ele precisa olhar para trás...
Se aproximando...
Respiração mais próxima...
Uma mão gélida toca seu ombro...
Acordo!